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domingo, 16 de agosto de 2015

Eça de Queiroz, faz 115 anos que nos deixou ...

Neste mesmo dia, em 12 de agosto 1900, morre Eça de Queirós, um dos maiores escritores de língua portuguesa.

Também tinha um gato, ... o Gato dos Maias, de nome  D. Bonifácio de Calatrava.  

“…Este pesado e enorme angorá, branco com malhas louras, era agora (…) o fiel companheiro de Affonso. Tinha nascido em Santa Olavia, e recebera então o nome de Bonifacio: depois, ao chegar á edade do amor e da caça fora-lhe dado o appellido mais cavalheiresco de D. Bonifacio de Calatrava: agora, dorminhoco e obeso, entrara definitivamente no remanso das dignidades ecclesiasticas, e era o Reverendo Bonifacio...”
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“O reverendo Bonifacio, que desde que se tornara dignatario da Egreja comia com os senhores, lá estava já, magestosamente sentado sobre a alvura nevada da toalha, á sombra de algum grande ramo. Era alli, no aroma das rosas, que o veneravel gato gostava de lamber, com o seu vagar estupido, as sopas de leite servidas n'um covilhete de Strasburgo, depois agachava-se, traçava por diante do peito a fofa pluma da sua cauda, e, de olhos cerrados, os bigodes tesos, todo elle uma bola entufada de pello branco malhado de ouro, gosava de leve uma sesta macia.
(..)
“Carlos, (…) contou o fim do reverendo Bonifacio. Morrera em Santa Olavia, resignado, e tão obeso que se não movia. E o Villaça, com uma idéa poetica, a unica da sua vida de procurador, mandára-lhe fazer um mausoléo, uma simples pedra de marmore branco, sob uma roseira, debaixo das janellas do quarto do avô.

in “Os Maias”, Eça de Queiroz

 Afonso da Maia (João Perry) com o seu gato, Reverendo Bonifácio, 
no filme de João Botelho

 

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